quinta-feira, 23 de junho de 2011

DUAS EXPRESSÕES, UM POEMA


Era doce o amargo do teu ser, onde escondi-me de tantos monstros.
Sem a luz do Sol, sem o branco da Lua, eu segui teus passos.
Sim, segui. Foi tão mitológico este caminho e, por último, tão imprevisível.
Se não fosse Ariadne, como acharia a saída?
Mas ela, tão acostumada ao labirinto das tuas idéias
e temerosa que mais um ser lá se perdesse, ou pior, sucumbisse diante do monstro
meio homem, meio fera... salvou-me e, agora,
enfrento meus próprios pesadelos e vivo minhas próprias fantasias.
Hoje, vivo a realidade de muitas ficções
E não mais a ficção de viver algo que não é real.

Tão doce esta carne esponjosa e amarga que me abrigou das bestas.
Era escuro o dia e eu não podia ver os pirilampos ao anoitecer.
Por isso, segui os vermes que se rastejavam sobre o nada.
Se não fosse Ariadne, como acharia a saída?
Mas ela, acostumada com o cheiro putrefato das tuas idéias
e temerosa que a besta meio homem, meio fera
proibisse o brilho das estrelas, salvou-me.
Agora, enfrento os seres alados e os homens sem cabeça.
Porém, são parte do meu ventre, eu os pari, eu os sei.
E não a prisão virtual dos teus órgãos vitais.

Um comentário:

Cristiane Lira disse...

Com este poema eu ganhei um passe de trinta dias para a sessão de vídeo do Centro Cultural Banco do Brasil. Um concurso para poesia surrealista promovido pelo jornal O Dia à época da Exposição Salvador Dali. Há muitos anos...