quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O Portal de Anaya - Livro 1 - A origem

Os contos estão temporariamente suspensos, pois tenho me dedicado à publicação da trilogia O Portal de Anaya. Abaixo, segue a sinopse do livro 1 - A origem. O livro 2 está previsto para janeiro de 2014.

Enquanto novos contos não surgem, que tal dar uma conferida no livro? Ele está disponível online e o acesso é gratuito em qualquer um dos links escolhidos.

A única forma de uma energia desprendida da Fonte Original retornar a ela é vivenciando a experiência da matéria. Há cinco níveis de conhecimento e a Terra está no nível 2. Juliana e Zogham têm seus destinos entrelaçados, como almas gêmeas, mas são separados pelo abismo de conhecimento que há entre eles. Ela é terráquea, ele é arturiano. Wicnion tornou-se um equívoco da criação, mas a vaidade e a maldade de um de seus criadores não permite que esse erro seja corrigido. Em Wicnion várias espécies desenvolveram inteligência e competem entre si. O Portal de Anaya monta uma força de aliados para libertar as pobres almas presas a Wicnion. Juliana precisa evoluir. Zogham precisa se redimir dos erros cometidos. Mestre Carama governa o Portal de Anaya e deseja derrubar Gabhar, senhor do mundo invisível de Wicnion, e aqueles que dominam o planeta, o Rei Rufus e a Rainha Zerda. Quatro aldeias rebeladas ajudarão a combater os tiranos: os humanos, as fadas, os dragões e os gwenos.

domingo, 2 de junho de 2013

Purificação

Fernando segurou Vicky nos braços cuidadosamente. Os olhos dela estavam fechados, sua roupa rasgada e seu cabelo desgrenhado. Ele deitou-a sobre a cama e ficou a examiná-la por longo tempo até que decidiu fazer o que julgava necessário.

Acendeu as luzes para vê-la melhor. Ela estava suja e suas pernas, manchadas de vermelho. Seu rosto tinha batom além da boca e por baixo do vestido roto, já não havia roupa de baixo. Sentiu pena dela, pois sabia o quanto havia sido bonita um dia.

Com muita delicadeza tirou-lhe os trapos que ainda lhe cobriam, deixando-a totalmente desnuda. Em seguida, foi ao banheiro e trouxe uma bacia com água morna, sabão de coco, uma esponja, um pente e uma toalha. Primeiro, limpou-lhe o rosto, removendo o batom desnecessário, pois sua boca era naturalmente carmim. Vicky havia sido muito maltratada e ele tinha consciência que ela voltaria a ser. – Coitada... – ele pensou.

Acomomodou a bacia sob sua cabeça e lavou-lhe os cabelos louros. Secou-os e tentou penteá-los. Assustou-se quando uma mecha se desprendeu e veio agarrada ao pente. Tentou ser ainda mais gentil. Após 20 minutos, gostou do resultado. O cabelo estava liso novamente. Vicky quase parecia a mesma, exceto pelas marcas em seu corpo que ele sabia que ela as carregaria até o fim.

Fernando afastou a bacia e deixou-a reta sobre a cama novamente. Ela permanecia de olhos fechados. Ele ensaboou seus braços, seus seios e sua barriga. Passou mais sabão na esponja, espremeu-a e abriu suas pernas. Limpou as manchas vermelhas em suas coxas e passou a esponja em sua virilha, descendo a mão sem pressa. Virou-a de lado e limpou também as suas costas e nádegas, principalmente, entre elas. Vicky estava muito suja ali, naquela reentrância.

Ele pegou a toalha novamente e secou-a. Olhou para o vestido lilás, ou o que havia sobrado dele, e decidiu que ela não poderia vestir aquilo de novo. Deixou-a sozinha sobre a cama e saiu do quarto. Ao retornar, trazia em mãos uma camisa vermelha, uma calcinha branca bem pequena e uma fita amarela. A peça íntima coube perfeitamente, mas a camisa era comprida demais, parecendo um vestido. Fernando, então, passou a fita amarela em sua cintura e deu um laço na frente, girando-o até posicioná-lo em suas costas.

Admirou Vicky com orgulho, mas logo se entristeceu ao pensar que em breve ela estaria igual ou pior do que há uma hora atrás. Afofou os travesseiros da cama e sentou-a recostada neles. Vicky, finalmente, abriu os olhos.

Nesse momento, Fernando ouviu a porta abrir atrás dele. Virou-se e viu sua filha de quatro anos entrar correndo pela porta. – Ufa! – ele suspirou de alívio. – Ainda bem que ela só chegou agora. – A menina correu para a cama e puxou Vicky pelos cabelos de forma violenta.

- Obligada, papai! A Vicky tá linda de novo!


E enchendo a boneca de beijos, a menina saiu correndo arrastando-a pelo chão do quarto.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O roubo da fantasia 2

Depois de passar a madrugada do domingo de Carnaval tentando desvendar o roubo da fantasia da sra. Souto Vianna, o detetive Gonçalo estava certo de ter encontrado o culpado. Às 7h, o policial Motta retornou à delegacia trazendo consigo um café com leite num copo de plástico, na verdade, eram dois copos, um dentro do outro, pra reforçar. Tinha em mãos também um pequeno embrulho em papel grosseiro.

      Chefe, “taqui” o seu pingado, os ovos mexidos, a linguiça frita e a coxinha de galinha.

O detetive bebeu o café, mais morno do que quente, comeu os ovos junto com a linguiça e arrematou tudo com a coxinha. Depois de um sonoro arroto, se apressou em dizer:

      Motta, temos que ir! Já sabemos quem é o culpado, mas se o criminoso não confessar onde escondeu a fantasia, de nada terá valido o esforço!

Ao descerem do ônibus, na frente do condomínio onde morava a família Souto Vianna, ambos tiveram o primeiro choque. O Fusca 85 estava sem os quatro pneus!

      Chefe, pelaram o seu carro! Temos que chamar a polícia!
      E nós somos o quê?!

O policial Motta ficou uns segundos olhando para o detetive Gonçalo até soltar um sonoro “Ah, é!”

      Não temos tempo para isso agora e o Fusca não vai sair daí sem as rodas.

De qualquer forma, o detetive evitou olhar para o companheiro depenado. Sentiu mesmo um aperto no peito, mas que logo desceu para o estômago. No final, eram apenas gases. O pingado não tinha caído bem.

Ao chegarem na residência dos Souto Vianna, o detetive já foi pedindo à empregada que chamasse todos os membros da família.

     Não vai dar não. – a mulher respondeu balançando a cabeça negativamente. – O patrão foi pra fábrica logo cedo.
      E a senhora? – o detetive perguntou.
      Eu tô aqui, ué!
      Não a senhora!
      O senhor tá me confundindo! – a mulher protestou.
      Estou falando da sra. Souto Vianna!
      Ah, a patroa! Por que não disse logo? Vou chamar!

Três minutos e dois flatos depois, o detetive viu a empregada descendo as escadas acompanhada da sra. Souto Vianna.

  Nossa, acho que tem alguma coisa estragada na cozinha, melhor ir ver. – a mulher disse para a empregada. – Bom dia, detetive! Bom dia, policial!
     Bom dia, senhora! – ambos responderam.
     Já sabemos quem roubou sua fantasia – o detetive Gonçalo se apressou em dizer.
     Eu também. – a mulher disse com os olhos enfurecidos.
     Como? – surpreenderam-se o detetive e o policial.
    Ah, depois de acompanhá-los até os quartos e ouvir os depoimentos, ficou óbvio para mim! – ela disse naturalmente. – Não foi assim para os senhores?
    Na verdade, n... ui! – o policial Motta não conseguiu concluir a frase, pois seu pé direito estava sendo esmagado pelo chefe.
      Sim, claro! – o detetive Gonçalo respondeu. – Foi...
      Meu marido!
    Hã? – ambos perguntaram, certos de que havia sido a irmã perua do sr. Souto Vianna, com inveja da cunhada.
    Depois que o vi chamando azul de cerúleo e rosa de fúcsia, fiquei bastante surpresa. Quem conhece essas cores além dos carnavalescos? Mas nada foi mais óbvio do que o CD da Gloria Gaynor!
    É? – ambos perguntaram, sem entender o código escondido no CD da Gloria... Gloria o que mesmo?
   Assim que os senhores saíram, fui ao quarto do meu marido e revirei todo ele. Encontrei até calcinhas minhas! Fiz um escândalo e ameacei colocar tudo para a imprensa se minha fantasia não aparecesse imediatamente!
    Como? – ambos perguntaram, sem entender o que as calcinhas da sra. Souto Vianna estavam fazendo na história.
   Bem, meu marido foi à fábrica buscar a fantasia, pois foi lá que ele a escondeu. E ai dele se ela estiver danificada! Muito obrigada pela ajuda dos senhores, vocês foram excelentes!
    Ah! – ambos exclamaram, entendendo que estavam sendo encaminhados à porta.
   Mas que coisa! – a sra. Souto Vianna disse irritada. – Será que ela ainda não jogou no lixo a comida estragada?

Do lado de fora do condomínio, o detetive Gonçalo e o policial Motta acompanhavam o Fusca sendo colocado sobre o reboque. Em seguida, ambos se acomodaram nos bancos dianteiros do veículo rebocado.

     Chefe...
     O que é?
     É que tá difícil respirar.
     Foi o café que caiu mal! Põe a cabeça pra fora da janela que daqui a pouco passa!